Arquivo para o mês de novembro, 2010

ANEEL multa quatro empresas.

Diretoria mantém multas de quatro agentes
24/11/2010

A diretoria da Agência analisou os recursos interpostos pelas empresas Energia Caiuá S.A. – ENERCASA, Cooperativa Aliança – Cooperaliança, Cotesa Geradora de Energia e Ribeirão Preto Transmissora de Energia – RPTE a multas aplicadas pela fiscalizaçã o da ANEEL.

Empresa Infração Valor da multa Decisão da Aneel
ENERCASA Descumprimento dos marcos do cronograma de implantação da UTE Decasa. R$ 68.701,50 A Agência decidiu conhecer e negar provimento ao recurso interposto. Foi mantida a penalidade de multa aplicada pela Superintendência de Fiscalização dos Serviços de Geração (SFG).
Cooperaliança Não incidência do PIS e da COFINS sobre o valor das faturas de energia elétrica dos consumidores associados à cooperativa. R$ 

63.274,44

A Agência decidiu dar provimento parcial ao recurso interposto. Foi mantida a penalidade de multa aplicada pela Superintendência de Fiscalização dos Serviços de Eletricidade (SFE).
Cotesa Geradora Descumprimento do cronograma de implantação da Pequena Central Hidrelétrica São Valentim e descumprimento do envio do relatório mensal de acompanhamento da implantação do empreendimento. R$ 2.840,57 A Agência decidiu conhecer e negar provimento ao recurso interposto. Foi mantida a penalidade de multa aplicada pela Agência Reguladora de Serviços Públicos de Santa Catarina – AGESC.
Ribeirão Preto Transmissora de Energia – RPTE Desempenho da concessionária no retorno de carga no blecaute do dia 10 de novembro de 2009. R$ 30.723,03 A Agência decidiu dar provimento parcial ao recurso interposto. Foi mantida a penalidade de multa aplicada pela Superintendência de Fiscalização dos Serviços de Eletricidade (SFE).

MPF quer que Aneel detalhe tributos cobrados na tarifa de energia

Órgão recomenda elaboração de estudo para uniformizar informações para os consumidores

O Ministério Público Federal no Tocantins (MPF/TO) apresentou nesta quinta-feira (25/11) recomendação à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para que a instituição promova um estudo a fim de padronizar a apresentação dos tributos cobrados nas faturas emitidas pelas concessionárias de distribuição de energia elétrica do País. Para o órgão, a uniformização na apresentação dos impostos na conta tem como objetivo evitar equí vocos por parte do consumidor.

A recomendação é consequência de procedimento administrativo instaurado na Procuradoria da República no Tocantins para apurar irregularidades na cobrança da tarifa de consumo, taxa de iluminação pública e ICMS da conta de energia elétrica da Celtins, concessionária responsável pela distribuição no Estado. Análise realizada pela 3ª Câmara de Coordenação e Revisão da Procuradoria Geral da República concluiu que os cálculos das contribuições federais sujeitas à retenção pelo órgão público da Celtins estão de acordo com as instruções normativas da Secretá ria da Receita Federal. Mas o MPF alega que a empresa não obedece a um padrão único de apresentação dos valores das tarifas e tributos que formam a fatura, levando a interpretação errada por parte do consumidor.

“Tendo em vista que é direito do consumidor que a oferta de serviços seja feita de forma clara e de maneira a não restar dúvidas sobre os cálculos da tarifa de energia elétrica, o MPF recomenda a Aneel estabeleça um padrão na apresentação dos tributos a ser seguido por todas as concessionárias do país”, explicam os procuradores. A ideia é que o modelo uniformize a apresentação ao consumidor dos impostos retidos nas faturas – ICMS, Confins, PIS, CSLL e IRPJ.

A Aneel tem 15 dias contados a partir da data de recebimento da recomendação para manifestar-se sobre seu acatamento, informando quais providências serão tomadas sobre o assunto

Calor do escapamento gera eletricidade e diminui consumo do carro

O desempenho dos materiais termoelétricos é aferido com o uso de lasers de alta potência, aqui operados pela pesquisadora Yaguo Wang.

Pesquisadores estão desenvolvendo um sistema que usa o calor do escapamento de um carro para gerar eletricidade, reduzindo o consumo de combustível do veículo.

Xianfan Xu, da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, afirma que a eletricidade gerada a partir do calor do escapamento é suficiente para recarregar as baterias do carro.

Em um carro comum, isso equivale a dispensar a carga representada pelo alternador, que consome uma parte da potência do motor para manter as baterias carregadas.

Em um carro híbrido, a energia pode ser usada da mesma forma que o sistema KERS da Fórmula 1.

Materiais termoelétricos

A equipe está desenvolvendo uma nova geração de materiais termoelétricos – materiais que geram eletricidade a partir de um diferencial de temperatura.

O protótipo, que está sendo construído em parceria com a GM, será instalado no sistema de exaustão, depois do conversor catalítico, aproveitando os gases que chegam até lá a cerca de 700 graus Celsius.

Os materiais termoelétricos conhecidos atualmente não conseguem suportar as temperaturas mais elevadas no interior do próprio catalisador, que alcançam até 1.000 graus Celsius.

Segundo os cálculos dos cientistas, a energia gerada a partir do calor do escapamento será capaz de gerar uma economia de combustível de 5%. Quando os materiais termoelétricos de alta temperatura (~1.000º C) já estiverem disponíveis, a economia pode saltar para 10%.

Transferência de calor

O material termoelétrico está contido em pequenas pastilhas, com poucos centímetros de largura, projetadas em formatos especiais para se encaixarem no interior das tubulações.

“Elas são otimizadas para funcionar de forma eficiente a diferentes temperaturas, que vão caindo conforme o gás flui ao longo do sistema de escapamento,” explica Xu.

Transformar o calor em eletricidade não é o único desafio do projeto. Os cientistas estão tendo que ajustar os materiais usados nas pastilhas e no próprio sistema de exaustão para minimizar as diferenças de expansão e contração de cada material quando eles se aquecem e se resfriam.

Outra dificuldade é desenvolver materiais que sejam pobres condutores de calor. O material termoelétrico gera eletricidade quando há diferença de temperatura entre suas duas faces: se o calor fluir muito rapidamente de um lado para o outro, sua eficiê ncia cai dramaticamente.

“O maior desafio é o projeto em nível de sistema – como otimizar tudo para conseguir o maior calor possível do sistema de exaustão,” diz Xu. “O escapamento do carro tem que transferir o maior calor possível para o material.”

Metais misturados

Os pesquisadores estão usando primariamente um material chamado escuterudita (skutterudite), um mineral natural que é um arseneto de cobalto – formado por cobalto, arsênio, níquel e ferro.

Os cientistas descobriram que a adição de elementos de terras raras – lantânio, césio, neodímio e érbio – reduzem a condutividade termal da escuterudita.

Mas como os elementos de terras raras puros são muito caros, o grupo está tentando substituí-los por uma mistura dessa família, reunidos em ligas conhecidas como mischmetals (do alemão “metais misturados”).

Cientistas alemães, em um trabalho independente, também estão tentando aproveitar o calor do escapamento dos automóveis para aposentar o alternador

CVM coloca em Audiência Pública minuta de Deliberação que aprova a Interpretação Técnica ICPC 16 – Extinção de Passivos Financeiros com instrumentos patrimoniais

Fonte : CFC

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) coloca em audiência pública hoje, 23/11/2010, minuta de deliberação que aprova a Interpretação Técnica ICPC 16 – Extinção de Passivos Financeiros com instrumentos patrimoniais, equivalente ao IFRIC 19, emitido pelo International Accounting Standards Board – IASB.

O objetivo dessa interpretação é complementar o processo de convergência das práticas contábeis brasileiras às normas internacionais emitidas pelo IASB. Com a divulgação dessa minuta, o CPC esclarece que as interpretações conferidas ao pronunciamento referente ao ICPC 16, nesta audiência pública, produzirão os mesmos reflexos contá beis que as normas internacionais emitidas pelo IASB.

Assim, as sugestões e comentários deverão ser encaminhados, até o dia 2 de dezembro de 2010, à Superintendência de Normas Contábeis e de Auditoria, preferencialmente através do endereço eletrônico [email protected]

3º ciclo de revisão tarifária: Aneel pode ampliar prazos

Fonte : Jornal da Energia

Diretoria da agência discute nesta terça (30) sobre mais tempo para audiência pública

A diretoria colegiada da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) discute nesta terça-feira (30/11), em reunião pública ordinária, uma proposta que altera a data da seção presencial e prorroga o prazo de contribuições da audiência pública número 40/2010. A audiência trata do estabelecimento das metodologias e critérios gerais para o terceiro ciclo de revisão tarifária periódica das distribuidoras de energia elétrica. A reunião da diretoria tem início às 10 horas

Dilma e a “contabilidade criativa

FONTE : CFC
A presidente eleita, Dilma Rousseff, decidiu manter o ministro da Fazenda, Guido Mantega, recomendado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela pode ter levado em conta, além da recomendação, o “desenvolvimentismo” de Mantega, sua experiência de mais de quatro anos no posto ou sua disposição de acomodar a política fiscal às conveniências político-eleitorais de cada momento. Pode ter considerado, também, sua vocação para a “contabilidade criativa”, confirmada amplamente neste ano, quando gastos e operações de endividamento foram convertidos em receita para engordar as contas federais. A obra-prima, nesse campo, foi a conversão do aporte de capital à Petrobrás – R$ 74,8 bilhões – numa receita de R$ 31,9 bilhões para o Tesouro. 

Como a presidente eleita ainda não explicou por que decidiu manter o ministro, não há como avaliar a seriedade e a extensão da agenda prevista para o Ministério da Fazenda. A pauta inclui, como um de seus pontos mais importantes, a redução da dívida líquida do setor público, até 2014, de cerca de 41% (dado de setembro) para 30% do Produto Interno Bruto (PIB). Isso será possível, segundo cálculos do Ministério, se a economia crescer 5% ao ano e for mantido um superávit primário de 3,3% do PIB.

Mas a própria agenda ainda não é clara, pelo menos para quem está fora do governo. Afinal, a noção de dívida líquida tem servido para disfarçar desmandos da política orçamentária. Quando, por exemplo, o governo transfere dinheiro a bancos estatais para empréstimos a empresas, emite papéis e aumenta a dívida bruta, mas não necessariamente a dívida líquida, porque um crédito é inscrito simultaneamente nas contas. Mas a qualidade do crédito é incerta, especialmente por causa do critério de aplicação. O dinheiro talvez nunca volte ao Tesouro, mas a dívida bruta continuará e essa os credores não perdoarão.

Os objetivos ficariam muito mais claros para os mercados e para os cidadãos em geral, se o objetivo fosse limitar ou reduzir a proporção entre a dívida bruta e o PIB, hoje próxima de 60%. Essa é a referência usada na maior parte dos demais países.

Mas a presidente eleita ainda não expôs com clareza a maior parte de sua estratégia. Tem falado sobre suas boas intenções, como elevar o salário mínimo, ampliar o Programa Bolsa-Família, eliminar a miséria e ao mesmo tempo aumentar o investimento público e realizar as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Falta dizer como administrará as finanças públicas para cumprir essas promessas e garantir fundamentos sólidos para a economia.

A mera continuação dos padrões observados no atual governo será insuficiente. Na quinta revisão bimestral da execução orçamentária, o Ministério do Planejamento recomendou a ampliação de R$ 10 bilhões nos limites de empenho e movimentação de créditos extraordinários e a liberação de R$ 8,6 bilhões para despesas discricionárias.

A ampliação de gastos foi possibilitada pela receita resultante da capitalização da Petrobrás, uma das mágicas contábeis. Se o novo governo mantiver esse padrão, qualquer relatório futuro sobre o ajuste orçamentário será obra de ficção.

Por todos esses fatores é difícil, por enquanto, aceitar sem reserva as boas intenções anunciadas nos últimos dias. A decisão de excluir também a Eletrobrás do cálculo do resultado primário das contas públicas é em tese positiva. A Petrobrás já foi excluída. Essas mudanças não apenas dão às empresas maior liberdade para investir, mas também tornam as contas públicas mais claras e conferem maior realismo aos números divulgados.

Também positivas, em princípio, são as decisões anunciadas de equilibrar totalmente as contas públicas nos próximos anos e de fixar as metas em termos de resultado nominal e não só primário. O resultado nominal contabiliza todas as despesas e receitas, incluí das as financeiras.

Mas falta a presidente eleita explicar em termos mais concretos como pretende administrar as finanças públicas e confirmar se respeitará, de fato, a autonomia do Banco Central. Será preciso somar aos bons compromissos, naturalmente, a renúncia à “contabilidade criativa”. Então poderá vencer as desconfianças.

 

Turbinas chinesas podem viabilizar PCHs três vezes mais baratas

FONTE : JORNAL DA ENERGIA.

Os resultados dos últimos leilões de energia promovidos pelo governo, que contaram com amplo domínio das usinas eólicas entre os vendedores, geraram protestos dos investidores que apostam em pequenas centrais hidrelétricas (PCHs). Para esses empresários, o valor que o governo tem oferecido para a energia gerada pelas mini-usinas, que ficou na média de R$141,93 por MWh no último certame, em agosto, não é suficiente para viabilizar a maior parte dos projetos. A opinião era compartilhada pelo sócio-proprietário da Itacá Energia, Carlos Freitas. O engenheiro conta que já estudava iniciar negócios em outras áreas qu ando encontrou uma solução para enfrentar os atuais impasses das PCHs.

A Itacá Energia opera três centrais geradoras hidráulicas (CGHs) e possui uma fábrica de equipamentos elétricos. Uma das usinas da empresa estava parada devido a um defeito em uma turbina. Em uma viagem para importar peças para sua fábrica, Freitas resolveu também o problema de sua CGH. Na China, o empresário foi conhecer um grupo que atua na produção de turbinas hidrelé tricas do tipo Francis. Acabou comprando o equipamento e ainda fechando uma parceria. A Itacá passou a ser representante comercial, no Brasil, da empresa chinesa, da qual ele afirma não ter autorização para divulgar o nome.

“Estamos começando agora a trazer mais equipamentos. Vamos ampliar nossa CGH Cajuru, colocar mais uma má quina para aumentar a capacidade. E estamos também fazendo cotações para outros clientes”, afirma Freitas. Segundo ele, já existem 37 propostas de fornecimento circulando entre agentes, sendo que muitas “estão bastante próximas de serem fechadas”. Um dos compradores, inclusive, seria uma fabricante de turbinas que, para sua própria usina, preferiu optar pela máquina chinesa.

“É um novo patamar para as PCHs, sem dúvidas. Vai ficar muito mais viável (construir uma usina), com um retorno muito mais rápido. Não faz sentido você comprar, por exemplo, um gerador de 1MW aqui no Brasil e te pedirem R$1,6 milhões, se um similar chinês você traz por R$550 mil. Isso com o custo de importação, taxas, impostos, frete”, destaca o investidor.

Freitas ainda afirma que ficou surpreso ao ver a qualidade das turbinas, “de primeiríssima linha”. O executivo da Itacá Energia revela que a assistência técnica aos produtos será oferecida no País por sua própria empresa e que, por meio da parceria fechada com o fornecedor, haverá um técnico chinês disponível para eventuais necessidades. Para Freitas, os impostos e custos da indústria nacional vão inviabilizar o uso de equipamentos brasileiros nas PCHs.

Um empecilho para o uso em larga escala das turbinas importadas pode ser o financiamento, uma vez que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não ofereceria empréstimos para projetos com máquinas trazidas de fora. A questão, porém, não preocupa Freitas. O empresário afirma que mesmo a Itacá Energia, ao trazer a unidade chinesa para sua CGH, conseguiu obter recursos junto a um banco na própria China e com “taxas muito competitivas”.

Eólica
O executivo também quer marcar posição no setor de energia eólica. Segundo ele, alguns dos equipamentos trazidos para as PCHs podem ser utilizados em parques eólicos com poucas adaptações, como a parte de panéis e o gerador. “Isso já significa 35% do equipamento eólico”, explica. Freitas, porém, diz que estuda como aumentar o número de peças que poderiam ser direcionados para esse mercado, que tem crescido com vigor no Brasil nos últimos anos

DELOITTE Fala

FONTE : SITE DA CONTABILIDADE FINANCEIRA

No jogo de empurra criado com a descoberta do rombo de R$ 2,5 bilhões no Panamericano, ninguém apanhou mais do que a Deloitte, o escritório que audita as contas do banco de Silvio Santos há nove anos. Silvio anunciou que vai processar a empresa, além dos ex-diretores do Panamericano. O Banco Central (BC) apontou o dedo para Silvio e para os auditores. E, no mercado, fala-se em responsabilidade do BC e da Deloitte.

Contratada especialmente para conferir as demonstrações financeiras do Panamericano, a empresa só soube do buraco quando o BC convocou seus auditores para uma reunião na segunda-feira da semana passada (8 de novembro), um dia antes de o assunto vir a público. Como isso aconteceu?

“O auditor verifica as informações que lhe são oferecidas. A base é a boa-fé”, diz o sócio Maurício Pires Resende. Nesta entrevista, o Estado apresenta a versão da Deloitte.

O que houve no Panamericano?

Ficamos muito mais surpresos do que vocês possam imaginar. Nosso negócio está fundado em reputação. No momento em que essa credibilidade é colocada em jogo, é muito difícil. Estamos pagando um preço alto: os clientes estão perguntando o que aconteceu, o mercado pergunta, os bancos querem saber… Estamos apanhando, todo mundo quer explicação.

O que vocês têm respondido?

Como já foi dito pelo BC, a Deloitte não cometeu fraude, não maquiamos balanço. O BC encontrou inconsistências contábeis. Onde está a fonte disso? Está no banco, nas pessoas do banco. O que a administração tem a dizer? O que os controladores têm a dizer? Somos auditores, temos um papel e não vamos nos furtar às responsabilidades. Mas entendemos que, numa situação como essa, todos os componentes têm responsabilidade. O administrador em primeiro lugar.

O sr. está dizendo que trabalharam com fatos que não eram verdadeiros. Mas o trabalho de vocês não é justamente avaliar as informações do banco e dizer se são verdadeiras ou não?

Não preparamos as demonstrações financeiras. Somos contratados para emitir opinião sobre até que ponto uma demonstração está de acordo com práticas contábeis estabelecidas em uma jurisdição. Há o papel da administração. Ela tem de ter um sistema de controle interno que permita capturar e registrar as operações, o que, por sua vez, vai gerar as demonstrações financeiras. Quando o auditor faz seu trabalho, aplica testes para se certificar de que a demonstração é correta.

Vocês não tinham de ter detectado os problemas no banco?

Não. Não é papel do auditor detectar uma fraude. Muitas vezes, uma fraude não envolve só a empresa. Estamos falando de uma série de agentes que podem estar dentro da empresa, fora da empresa… Não temos condições de fazer isso. Aí não se trata mais de trabalho de auditor, mas de polícia. O problema é que, no Brasil, especificamente, a figura do auditor é confundida com a figura de polícia.

Não são polícia…

Nós não somos polícia. A cada um compete sua parte de responsabilidade. Se nós não cumprirmos a nossa, estamos sujeitos a processos éticos, administrativos e criminais em questões mais complicadas – que não é o caso.

Desculpe a insistência, mas o auditor dá um atestado para o que está nas demonstrações. Para isso, não precisa checar tudo, para evitar erros?

O auditor verifica as informações e os sistemas que lhe são oferecidos. A base é a boa-fé. A carta de responsabilidade do administrador é para garantir que ele está oferecendo as informações corretas. É fundamental porque ele assume a responsabilidade pelo que está entregando para a auditoria.

Vocês fizeram a circularização (checagem de informações com clientes e outros bancos)?

É importante deixar bem claro: todos os procedimentos de auditoria foram realizados.

Inclusive a circularização?

Sim. Todos os procedimentos foram realizados. Há procedimentos obrigatórios. Há alguns que dependem do planejamento do auditor. Aplicamos os que entendíamos serem necessários para essa situação.

Não dava para um auditor pegar essa fraude contábil?

Não vou dizer que temos fraude porque não sabemos. Sabemos aquilo que o BC reportou de inconsistências contábeis. Dentro desse universo, ainda não chegamos à conclusão se era algo possível de ser descoberto por um auditor.

Como o BC conseguiu descobrir o problema?

O BC fez um trabalho específico, que identificou que havia uma movimentação grande de cessões de crédito e foi investigar. Os procedimentos, quando adotados, revelaram diversas inconsistências. Até chegar à conclusão de que havia o problema.

O auditor não poderia ter feito a mesma coisa que o BC fez?

Não, porque não temos os dados de todo o sistema.

Desde quando vocês auditam os balanços do Panamericano?

Desde 2001.

Vocês continuam trabalhando no banco?

Sim. A menos que o trabalho seja interrompido. Nossa disposição é de cooperar.

Quantos auditores estavam no Panamericano?

É uma equipe.

Como eles estão?

Como estamos todos.

E como estão todos?

Cansados. Em primeiro lugar, estamos profundamente indignados. A adrenalina sobe quando você se sente assim. Então, fica-se mais forte ainda. Sabemos que temos de continuar lutando. Fechamos contratos todos os dias.

Há semelhanças entre esse caso e o da Enron nos EUA?

São muito diferentes. Mas veja que interessante: dois anos depois, a Arthur Andersen foi absolvida no caso. Isso é o que nos preocupa. É uma história que ninguém conta.

Qual a reação da matriz?

A Deloitte nã o tem matriz. Somos uma rede de empresas, congregada numa entidade chamada Deloitte. Aqui somos uma empresa brasileira que tem sócios, não temos vinculação. Somos 4.000, com 152 sócios. O faturamento no último ano foi de R$ 738 milhões.

Vocês cogitam processar os responsáveis pelas informações falsas?

Estamos impedidos de fazer isso enquanto eles são clientes. Mas, se houver algum dano, é algo que consideramos. Evitamos ao máximo, mas é uma possibilidade jurídica.

PanAmericano: Auditores na berlinda

FONTE : CFC

Há diversos focos de perplexidade e preocupação no mercado, na esteira das fraudes descobertas na contabilidade do banco PanAmericano. De longe, porém, a maioria se concentra no vacilo das firmas de auditoria que aprovaram as contas da instituição financeira.
Pelo volume das operações de crédito de um banco, sua checagem pelos auditores é feita por amostragem. Há o risco de que uma manobra como a descoberta – em que uma carteira de crédito é vendida a outra instituição, mas permanece na coluna de ativos do banco – passe despercebida. Mas no caso do PanAmericano as operações suspeitas são equivalentes a quase duas vezes o patrimônio da instituição. Daí a dificuldade do mercado em entender como não se percebeu que havia algo errado.

Uma prática de auditoria deveria identificar um “erro” contábil tão evidente. Chama-se circularização. É o envio de uma correspondência a uma fonte externa, pedindo para confirmar um débito ou um crédito à empresa auditada. A medida tem dois objetivos: comprovar que o saldo é correto e testar a eficiê ncia dos controles internos. Levando em conta que o caso do PanAmericano envolve cerca de 35 mil operações de crédito, a probabilidade de que um problema fosse detectado era enorme.

No caso da venda de uma carteira de Crédito Direto ao Consumidor para um banco maior, o auditor deveria consultar a instituição financeira compradora.

Quem estava no mercado em 1995 lembra-se de que a fraude que dizimou o Banco Nacional era semelhante. E que era a KPMG quem o auditava. A firma, porém, foi acusada de terceirizar a circularização para a auditoria interna do banco, que fraudaria as respostas das fontes externas supostamente consultadas.

No caso do Nacional, contas externas eram reativadas, e concedia-se crédito para seus titulares – tanto pessoas físicas como jurídicas. Desse modo, o banco inflava o “contas a receber” de seu balanço.

A auditora do PanAmericano é a Deloitte. Mas a KPMG foi contratada pelo Banco Fator (que assessorou a CEF na compra de sua participação) para fazer uma due dilligence nas contas do banco. E, teoricamente pelo menos, uma due dilligence é muito mais profunda que uma auditoria de rotina. Ela é feita para confirmar a existência de ativos e procurar passivos eventualmente escondidos, conforme explica Julio Sergio Cardozo, professor do MBA de gestão financeira, controladoria e auditoria da FGV.

Mas as firmas de auditoria não são as únicas responsáveis por esse tipo de supervisão. O BC tem culpa no cartório. Afinal, monitora o sistema financeiro nacional e tem condições de controlar as operações de compra de carteira. É verdade que, formalmente, essa responsabilidade nunca lhe foi atribuída. Mas o caso do PanAmericano pegou tão mal que o BC planeja mudar a legislação para evitar fraudes com a venda de crédito.

Outro foco de inquietação diz respeito ao investimento feito pela Caixa Econômica Federal no ano passado para adquirir 49% do capital do banco de Silvio Santos. Para dizer de forma branda, é antinatural a Caixa ter comprado metade de uma instituição que não lhe agrega nada do que normalmente se procura numa aquisição.

Dada a desproporção entre o tamanho da gigante estatal e do banquinho médio, não é por capilaridade que o PanAmericano lhe interessava. Nem por lhe abrir qualquer canal novo de distribuição de produtos financeiros. Pode-se descartar, também, os demais motivos usuais: gente qualificada, domínio de mercados, produto inovador. Para não falar em afinidade cultural.

É uma situação radicalmente diferente da que se viu quando o BB comprou a Nossa Caixa. Aquela operação fazia todo sentido, visto que o banco estatal de São Paulo tinha uma proeminência no mercado paulista que faltava ao Banco do Brasil.

Mais uma vez, sobram críticas também às agências classificadoras de risco, como Moody?s e Fitch, que concederam nota máxima ao PanAmericano.

E esquenta a discussão sobre o modo de atrelar o pagamento dos gestores aos resultados das empresas onde trabalham. A respeito da afirmação, feita neste blog pelo investidor Lirio Parisotto, de que a culpa pelas fraudes deve ser atribuída a prêmios oferecidos a executivos por lucros de curto prazo, o PanAmericano diz que não paga bônus a diretores. Curiosamente, porém, Silvio Santos afirma que uma “maquiagem” ocultava o déficit no banco, numa malandragem de seus executivos para “garantir seus prêmios”.

Há, por fim, o temor de que as fraudes do PanAmericano sejam apenas as primeiras a aparecer publicamente. Gente com décadas de experiência em auditoria adverte: a descoberta de um jeito de fazer dinheiro aproveitando uma brecha nos controles nunca é um caso isolado. Não por muito tempo.